obra 007 · arquivo · 25 e 26 de maio de 2026

Oceano Ferly

A primeira obra que o lab fechou de propósito. Um globo do Pacífico onde a temperatura real do mar, medida por satélite, mexe nas ondas — e o primeiro passo do caminho que acabou na obra El Niño.

O render final (v7): 60 meses, de 2020 a 2024, em 30 segundos. NOAA OISST v2.1, 1° global, mensal.

Por que surgiu

Ela nasceu de uma frustração da obra anterior. A Memória Fluida era um volume de partículas, e no dia 25 de maio ficou claro que a imagem que se procurava era outra: não um volume, uma superfície. A descrição daquele dia:

mar muito revoltado, superfície do sol em erupção, bolhas, coisas andando — movimento lento, estética perfeita, textura, tridimensionalidade.

E uma pergunta que ficou como norte da obra: como o número consegue criar uma coisa assim? A ideia era que a temperatura do mar não virasse só cor — virasse comportamento: mar quente agitado, mar frio pesado.

Como ler o v7

Dois dias, quatro guinadas

  1. 25 maiConcepção: fluido de partículas no navegador, com a temperatura virando viscosidade.
  2. 25 maiO primeiro vídeo — partículas em WebGL2 (abaixo, “antes do globo”).
  3. 25 maiEntra dado real: 36 boias da NOAA no Atlântico Norte, 2020–2024.
  4. 25 maiGuinada pro Pacífico, depois de uma imagem da NASA sobre o El Niño de 2023–24: pela primeira vez o lab carrega um fenômeno com história.
  5. 26 maiGuinada total: o fluido em plano não fazia onda com crista. Nasce o globo 3D, renderizado na nuvem — sete versões em um dia, por centavos cada.
  6. 26 maiFechamento.
antes do globo · o fluido de partículas no navegador, descartado na guinada de 26/mai.
v1 · primeira luz do globo na nuvem — ainda com temperatura de teste, não dado.
v2 · 23 boias TAO reais do Pacífico, espalhadas pelo globo; 60 meses.
v3 · ajuste de câmera, altura de onda e paleta mais escura.
v4 · as boias dão lugar ao satélite (OISST): o mundo inteiro responde. O norte saiu invertido.
v5 · norte corrigido, ondas mais lentas, faixa com créditos e mês.
v6 · a cor passa a ser anomalia: os mares sempre quentes param de gritar.
v7 · ondas com crista, câmera no Pacífico, 30 segundos. A obra fechada.

Por que parou

A estética não chegou onde se queria — e mesmo assim a obra foi fechada, de propósito. Nas palavras do fechamento:

continuar editando esse trabalho não geraria tantos ganhos de inteligência pra gente. Concluir me permite aprender com ele e seguir explorando essa textura em outro projeto.

Fechar por saturação do aprendizado, e não por perfeição, virou desde então a regra de fechamento do lab.

O que deixou

O globo, o dado de satélite OISST, a cor pela anomalia e a temperatura mexendo na onda. Dias depois o lab abriu a El Niño com a ordem de não partir daqui, para ver o tema com olhos novos — e ela acabou reencontrando quase tudo pelo próprio caminho. Hoje é navegável, com a série mês a mês até o presente. O lab guardou a lição: o que uma obra deixa precisa estar à mão de quem vem depois, ou será redescoberto do zero.

Em aberto

A anomalia é medida contra a média da mesma latitude, não contra o normal histórico de cada lugar — por isso a língua quente do El Niño de 2023 aparece menos do que deveria. O diário da época já anotava que a comparação com a climatologia seria a mais honesta. As texturas dos continentes eram provisórias, e a série para em 2024. São vídeos: não dá para girar o globo.

Datart GenLab