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Milhares de pontos brancos sobre preto, alinhados por um fluxo invisívelUma massa âmbar de partículas em movimento sobre fundo azul quase preto

Datart GenLab

Minha curiosidade transformada em trabalhos interativos.

Na capa: obra 000 · Laminar ↓

Galeria

Cada obra parte de uma base de dados públicos — climáticos, geográficos, ambientais, sociais — e vira uma experiência em que o tempo, o movimento, as cores, as imagens, tudo trabalha em função do dado, para que ele conte uma história.

Fogo e desmatamento no Brasil, de 1985 a 2025, num globo que vai do país inteiro até a foto de satélite. Um resumo em 9 passos conta a história enquanto você rola; o globo deixa explorar qualquer ano e tocar o dado de cada lugar.

A foto de 2017 a 2025 é um mosaico próprio, montado na nuvem a partir do Sentinel-2 do Copernicus, a 10 m. Em 5 regiões, a foto de cada ano desde 1985 (Landsat) e o dado do MapBiomas a 30 m, pixel a pixel.

Como ler

  • O claro é tudo o que foi derrubado desde 1987; a brasa, o que caiu no ano; a luz, o fogo que veio junto.
  • De perto, a foto é a do ano escolhido. Antes de 2017, fora das regiões e janelas, a base é a foto de 2017 em preto e branco, e a tela diz isso.
  • Tudo é descritivo: associação, não causa.
dado
MapBiomas, INPE e Sentinel-2
período
1985–2025
estado
atualizada em 24 out 2026

Em aberto: Onde abril a junho não teve céu limpo, a foto foi tapada com julho a setembro e janeiro a março do mesmo ano (declarado); antes de 2017 só há foto do ano nas regiões e janelas; a legenda por quadrado e as emendas no oeste da Amazônia ainda estão abertas.

Todo ano, um rio de poeira mineral sai do Saara, atravessa mais de 5.000 km de Atlântico e pousa na Amazônia, levando o fósforo que fertiliza a floresta. A obra dá corpo a essa ponte invisível: a nuvem é um volume 3D calculado da reanálise MERRA-2 da NASA, o vento real empurra a poeira de uma semana para a outra, e no chão acende a poeira que chega.

A janela é a estação de dezembro de 2006 a abril de 2007, a de maior transporte para a Amazônia na série do satélite CALIPSO.

Como ler

  • No ar, a cor é a concentração de poeira (com um máximo fixo para todas as datas) e a altura é a altitude real: a rota sul voa baixo, perto de 1 km.
  • No chão, a cor é a poeira acumulada e o brilho é a chegada.
  • Arraste a barra do tempo: a nuvem flui empurrada pelo vento medido.
dado
NASA MERRA-2
período
dez 2006 – abr 2007
estado
atualizada em 22 out 2026

Em aberto: A data na tela se sobrepõe à legenda; entre uma semana e outra o movimento é interpolado pelo vento, não medido; pesa em celulares mais simples.

Na história do labTem um avô no arquivo: a Oceano Ferly (007) já fazia, em maio de 2026, um globo do mar com o mesmo dado de satélite. A El Niño foi aberta sem partir dela, de propósito, e acabou reencontrando o mesmo caminho.

Um globo do Pacífico onde a temperatura real da superfície do mar, medida por satélite pela NOAA, governa a obra mês a mês. Abre com um filme narrado que mergulha no globo, e a série segue até o mês mais recente publicado.

Em setembro de 2026 a região Niño 3.4 marcou +2,53 °C acima do normal, o maior valor da série, acima do pico de dezembro de 2023 (+2,32 °C).

Como ler

  • A cor é a temperatura real do mar, de 0 a 32 °C.
  • A agitação e o brilho da água são a anomalia: o mar se revolve onde está mais quente que o normal.
  • Na linha do tempo, os dois picos aparecem marcados com o valor.
dado
NOAA OISST
período
jan 2020 – set 2026
estado
atualizada em 22 out 2026

Em aberto: O filme de abertura ainda chama dezembro de 2023 de auge; o novo pico está só na linha do tempo, por escolha.

O planeta sem água e sem nome: o relevo global, terra e fundo do oceano juntos, pintado por altitude e esculpido por sombra dura. Cada placa tectônica gira pelo seu polo de Euler real e leva o relevo junto, cinquenta milhões de anos à frente.

É um cenário, não uma previsão: a velocidade de hoje é estendida em linha reta.

Como ler

  • A cor é a altitude, numa rampa única para o planeta inteiro; a sombra vem de um sol fixo.
  • Onde nenhuma placa cobre, fica um vazio declarado, não pintado. Onde duas se sobrepõem, a mais baixa afunda.
dado
relevo global + polos de Euler (NNR-MORVEL56)
período
hoje → +50 milhões de anos (cenário)
estado
atualizada em 22 out 2026

Em aberto: Em 50 milhões de anos sobra um vazio de cerca de 20% da superfície, e as bordas dos rasgos ficam serrilhadas.

Arquivo

Antes das obras acima vieram os estudos. O lab começou sem dado nenhum, só com matemática, para aprender como uma estrutura aparece pelo movimento (000). Depois deixou um dado comandar o movimento (001) e, dali, foi olhar a superfície do mar num globo (007), o caminho que acabou no El Niño. São de antes da regra de que toda obra parte de dado público real: estão aqui pelo que ensinaram, e o que cada um deixou em aberto vem dito. Vão entrando aos poucos, à medida que são resgatados.

Na história do labA primeira obra do lab. Tudo o que veio depois herdou daqui o quadro, o rastro que se apaga devagar e a gravação de vídeo direto do navegador.

Catorze mil partículas brancas sobre fundo preto, empurradas por um campo de movimento que ninguém vê. Cada uma deixa um rastro que some devagar, e é o acúmulo desses rastros que desenha o campo.

Não há dado aqui, de propósito: antes de mapear um fenômeno real, o lab quis entender como uma estrutura aparece pelo movimento. Antes do dado, a gramática.

Como ler

  • O branco é só rastro: onde as linhas se adensam e se alinham, o campo empurra na mesma direção.
  • O campo é matemático, três ondas sobrepostas formando um fluxo que não se comprime, e muda devagar com o tempo.
  • Nada aqui é medição: é a obra sem dado, declarada.
dado
nenhum (matemática pura)
período
estudo de fundação, 2026
estado
atualizada em 22 out 2026

Em aberto: O vídeo nunca foi exportado, e a data exata do estudo não ficou registrada.

Na história do labPegou a base da Laminar e pôs um dado no comando. Foi aqui que apareceu a vontade de olhar a superfície do mar em vez do volume, o que levou, no dia seguinte, ao primeiro globo do oceano (007).

O oceano tem memória: correntes abaixo da superfície carregam o calor de estações passadas. O estudo imita essa propriedade. 262 mil partículas giram num campo turbulento e cada uma deixa um rastro que demora a apagar, então o que se vê é o presente por cima do passado recente.

Foi o primeiro estudo do lab com um dado comandando o movimento, e o primeiro vídeo que o lab exportou.

Como ler

  • A cor é a velocidade de cada partícula: azul quase preto, cobre e, no mais rápido, âmbar.
  • A agitação do campo segue uma temperatura do mar ao longo de um ano: dia mais quente, campo mais turbulento.
  • A câmera gira devagar em volta; as teclas + e − mudam a exposição.
dado
temperatura simulada
período
estudo de maio de 2026
estado
atualizada em 22 out 2026

Em aberto: O dado não é real: é uma temperatura simulada (uma curva de 18 a 29 °C com ruído) sorteada de novo cada vez que a página abre, então a imagem não volta a uma medição. E o centro do volume estoura de brilho, o problema que pausou o estudo.

Na história do labNasceu um dia depois da Memória Fluida pedir superfície em vez de volume. Foi a primeira obra que o lab fechou de propósito, e o primeiro globo do mar, o tema que voltaria na El Niño.

Um globo do Pacífico onde a temperatura real do mar, medida por satélite, mexe nas ondas. Em dois dias a obra mudou de rumo quatro vezes: fluido de partículas no navegador, boias do Atlântico, o Pacífico do El Niño e, por fim, o globo 3D renderizado na nuvem, em sete versões.

Entra no arquivo como história: o filme final, as sete versões lado a lado e o porquê de cada guinada, com os materiais da época.

Como ler

  • A cor é a anomalia: azul-gelo mais frio, fogo mais quente, contra a média da mesma latitude no mês (±5 °C).
  • A altura da onda é a temperatura medida.
  • São vídeos: o globo não gira na mão.
dado
NOAA OISST (e boias TAO)
período
maio de 2026 · série 2020–2024
estado
atualizada em 22 out 2026

Em aberto: A anomalia é medida contra a média da latitude, não contra o normal histórico de cada lugar, então o El Niño de 2023 aparece menos do que deveria; a primeira versão ainda usava temperatura de teste.